terça-feira, 1 de dezembro de 2020

Ela

Ela nunca saberá
Quem eu sou
Pois nunca soube
Nem me olhar
Quando eu era frágil
Pequena e dependente
Chorei por afeto
E ela disse que era bobeira
Todos os medos e mágoas
Não tiveram importância para ela
Tentei me abrir
Fui julgada, críticada e punida
Nunca abençoada
Muito menos ouvida
Ela nunca soube
Quem eu era
Levo mágoas de seus olhares
Prossigo sem afeto
Não tenho nada a ver
Com seu jeito deserto
Até alguns dias atrás
A culpa me seguia
Porque queria o padrão
Incluindo a aceitação
Mas hoje
Digo adeus
E muito obrigada
Conviverei com ela
Mas eu não sou obrigada a nada
Nem a amá-la como eu me exigindo
Respeito seu jeito
Mas não entre no meu caminho
Apenas é minha mãe
Irei honra-la pois me deu a oportunidade
De nascer nessa vida
E tornar-se o que sou
Mas jamais saberá por que caminhos andei
Já que nunca me elogiou
Não precisa se desgastar
De amarras que investaste pra viver
Eu nada mais tenho haver com essas dores
Sou grata
Mas não precisa nunca mais saber
O que sinto, nem o que um dia senti
Pois teu mundo é somente teu
E eu não posso mais dizer 
Que farei algo porque tem que fazer
Muito menos que não irei partir.

Novos rumos da consciência


By Amarolando
01/12/2020